Caderno de Estudos
Fichamento5 de abril de 2026

O mal-estar na civilização — Freud (1930)

FreudCulturaMetapsicologia

"O mal-estar na civilização" é um dos textos mais pessimistas — e mais lúcidos — de Freud. Escrito em 1930, entre duas guerras mundiais, o texto investiga as razões pelas quais a civilização, longe de trazer felicidade, produz um mal-estar estrutural.

Tese central: a civilização se constrói sobre a renúncia pulsional. Para viver em sociedade, o sujeito precisa abrir mão de uma parcela de satisfação pulsional — especialmente a agressividade. Essa renúncia não é sem consequências.

O supereu é a instância psíquica que internaliza as exigências culturais. Quanto mais o sujeito renuncia, mais severo se torna o supereu — um paradoxo que Freud descreve com precisão: a renúncia à agressividade aumenta a culpa, não a diminui.

Freud termina o texto com uma nota sombria sobre a pulsão de morte e o futuro da humanidade. Mas também sugere que Eros — a pulsão de vida — pode oferecer alguma resistência. A aposta é frágil, mas está posta.

Referências

  • FREUD, Sigmund. O mal-estar na civilização (1930). In: Obras Completas, vol. 18. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.