Os três registros: Real, Simbólico e Imaginário
O nó borromeano é uma das formas mais elegantes de Lacan para pensar a estrutura do sujeito. Três registros — Real, Simbólico e Imaginário — enlaçados de tal modo que, se um se solta, os outros dois também se soltam.
O Imaginário é o registro da imagem, da identificação, do eu (moi). É a dimensão do espelho, onde o bebê se reconhece em uma imagem unificada que antecipa sua unidade corporal. O Imaginário é o registro do sentido, da consistência, da ilusão de completude.
O Simbólico é o registro da linguagem, da lei, da cultura. É o Outro com maiúscula, o tesouro dos significantes. Entramos no Simbólico pelo Nome-do-Pai, que nos inscreve na ordem da linguagem e nos constitui como sujeitos divididos.
O Real é o que escapa ao Simbólico e ao Imaginário. Não é a realidade — é o que não pode ser simbolizado, o que retorna sempre ao mesmo lugar, o traumático. O Real é o registro do impossível.
Na clínica, esses três registros operam juntos. Um sintoma pode ser pensado como um enodamento específico entre Real, Simbólico e Imaginário. A direção do tratamento aponta para um rearranjo desse nó.
Referências
- LACAN, Jacques. O Seminário, livro 22: R.S.I. (1974-1975). Inédito.
- LACAN, Jacques. O Seminário, livro 23: O Sinthoma (1975-1976). Rio de Janeiro: Zahar, 2007.
