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Amor12 de maio de 2026

Por que eu continuo escolhendo o mesmo tipo de problema com nomes diferentes?

Há uma cena que se repete. Os nomes mudam, os rostos são diferentes, as circunstâncias variam — mas a estrutura é a mesma. Você se pergunta: por que eu continuo escolhendo o mesmo tipo de problema com nomes diferentes?

A psicanálise tem uma resposta para isso, e ela não é simples. Não se trata de masoquismo, de falta de amor-próprio ou de "escolhas erradas". Trata-se de repetição.

Freud chamou isso de compulsão à repetição. Algo no sujeito insiste em retornar a uma cena, a um tipo de vínculo, a um desfecho conhecido — mesmo quando isso produz sofrimento. Por quê? Porque o conhecido, mesmo doloroso, é menos angustiante do que o desconhecido.

A repetição não é falha da memória, mas insistência do inconsciente. Quando os mesmos conflitos retornam com roupagens diferentes, algo pede para ser escutado. Algo que não encontrou palavras, que não foi simbolizado, que ficou preso no corpo, no ato, na escolha.

Na clínica, a repetição é uma bússola. Ela aponta para o que insiste em não se inscrever. O trabalho analítico consiste justamente em abrir espaço para que aquilo que se repete possa, enfim, ser dito — e, ao ser dito, deixar de se repetir como sintoma para se tornar memória.

Se você se reconhece nessa descrição, não está sozinho. A repetição é uma das experiências mais humanas que existem. E talvez a pergunta mais produtiva não seja "por que eu faço isso?", mas "o que isso está tentando me dizer?".

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